Produtos naturais para a pele: você sabe escolher?

por Bibiana Conrad

Se assim como eu, você também tem buscado alternativas mais saudáveis para o cuidado da sua pele, seja ela do corpo ou do rosto, provavelmente temos algo um comum – a dúvida sobre como escolher o produto adequado. Escuto ou leio diariamente pessoas afirmando ou questionando “Esse produto é todo natural?” como se intrinsecamente tudo que for de origem natural é melhor. Cuidado. Nem tudo que é natural é melhor, pois o que faz bem para você pode fazer mal para mim ou a quantidade de determinado ingrediente é excessiva e em excesso até água faz mal.

Outra pergunta que constantemente aparece no meu dia-a-dia é, “Mas esse produto é completamente sem químicos?”. Cuidado mais uma vez. Possuir químicos não é sinônimo de ser prejudicial à saúde. Assim como a água é um composto químico, os óleos vegetais e essenciais também possuem uma combinação química poderosa, responsável pelas propriedades farmacológicas e aspectos sutis de cada óleo. O óleo essencial de Lavanda, por exemplo, pode possuir entre 60 e 100 componentes químicos dependendo da região onde foi cultivado, época do ano, lote e espécie (quatro espécies são as mais conhecidas, sendo que lavandula angustifolia ou officinalis a mais popular dentre essas).

Mas, então, como escolher corretamente?

Mesmo dentro da Aromaterapia existem diferentes vertentes para responder esta pergunta, de acordo com os princípios valorizados pelo profissional.  Eu me identifico bastante com a abordagem da aromaterapia holística, portanto, é a partir dessa ótica que busco respostas quando tenho alguma dúvida.

A aromaterapia holística trabalha os aspectos físicos, mentais e emocionais, buscando enxergar a pessoa como um todo e não como uma das partes. Desta forma, as causas dos desconfortos são trabalhadas e não somente os sintomas. Para escolher os produtos mais adequados para a sua pele, eu recomendaria entender: o seu tipo de pele (1), condições da pele no momento (2), estilo de vida e rotina (3), rotina diária de cuidado com a pele (4), estado emocional (5) e personalidade olfativa (6). Parecia tão mais simples quando a escolha era só pela embalagem mais atraente, não é mesmo?

Já que o assunto é claramente complexo e a ideia é facilitar e não complicar ainda mais, vamos começar com um guia básico para entender o seu tipo de pele, alguns mitos sobre cada condição e alguns óleos indicados para quem deseja começar já a mudar a rotina de cuidado da pele.

Tipos de pele e condições da pele

A sua alimentação, a quantidade de água ingerida ao longo do dia, o seu estilo de vida, o clima do lugar onde você mora, a poluição dos ambientes nos quais você passa a maior parte do tempo, o tempo de exposição ao ar condicionado e a genética que você herdou influenciam diretamente na saúde da sua pele. Além disso, a sua pele muda todos os dias e se comporta de forma diferente no inverno e verão. Portanto, entender qual é o seu tipo de pele e condições da mesma são fundamentais para fazer uma boa escolha de produtos, visto que é possível (e não raro) agravar uma condição, tais como oleosidade, ressecamento e manchas por exemplo, se o produto escolhido não for adequado para você neste momento.

Pele normal

É aquela que você vê em praticamente toda foto que passou por edição, mas raramente encontra pessoalmente. Sim, é o tipo de pele mais raro e normalmente descrito como “pele de bebê”, por ser mais comum em crianças.  A produção de óleo nas glândulas sebáceas da pele é equilibrada e raramente apresenta focos de oleosidade ou ressecamento – a não quer que esteja exposta a climas extremos, por exemplo.

Mito: não preciso tomar nenhum cuidado específico.

Realidade: A pele normal pode se tornar oleosa ou ressecada caso os cuidados diários não sejam adequados. Limpar adequadamente de manhã e a noite, usar protetor solar, hidratar ao longo do dia e noite, e esfoliar uma ou duas vezes por semana (deixando um intervalo de 48h entre as esfoliações) é fundamental.

Dica: Procure produtos que contenham óleos essenciais de Gerânio, Palmarosa, Camomila Alemã, Lavanda, Rosa, Neroli, Pau Rosa ou Ylang-Ylang; e óleos vegetais de Amêndoas Doces, Damasco ou Jojoba.

Quase todos os óleos que normalmente não irritam a pele podem ser usados em peles normais. Não vou entrar em detalhes, mas alguns óleos têm maior propensão a causar irritações dermatológicas, portanto, é importante testar a reação do produto em uma pequena região da sua pele 24h antes de aplicar no seu corpo ou rosto.

Pele Oleosa

É aquela que é fácil de identificar pelo brilho em todo o rosto e normalmente apresenta uma aparência firme e poros dilatados. Tem tendência a possuir cravos e acne. A pele de algumas pessoas fica mais oleosa em climas úmidos e quentes.

Mito 1: quando mais eu lavar com sabonetes que retiram toda a oleosidade, menos oleosa a pele fica.

Realidade: esta sensação de menos oleosidade e limpeza logo após a lavação é maravilhosa, porém não dura muito tempo, visto que as glândulas sebáceas buscam um equilíbrio e neste caso produzirão ainda mais óleo para voltar ao padrão normal delas. Sabonetes com formulações adstringentes (porém não ao extremo) ajudarão a manter a pele limpa sem aquela sensação de pele “esticada” ou descamação no dia seguinte. Talvez a aparência dessas duas características seja a melhor forma de testar o quão forte é o sabonete que você está usando e repensar se este é o mais adequado para a sua pele.

Mito 2: não preciso hidratar a pele pois ela já produz óleo além da média.

Realidade: a pele oleosa pode sim estar ressecada, principalmente se você possui poros dilatados. Aliás, os poros dilatam ainda mais pela falta de hidratação. Lembre-se de esfoliar a sua pele uma ou duas vezes por semana (deixando um intervalo de 48h entre as esfoliações) para limpar as células mortas e preparar o rosto para receber hidratação. Usar tônicos diariamente após a limpeza é também fundamental não só para terminar o processo de limpeza como também para iniciar a hidratação.

Dica: Cuidar da pele oleosa é buscar um equilíbrio e manter a pele limpa para evitar inflamações ou infecções por bactérias. Busque por produtos que contenham óleos essenciais que contrabalançam a produção de óleo nas glândulas sebáceas e auxiliam no controle de bactérias, tais como Gerânio, Ylang-Ylang, Petitgrain, Pau Rosa, Sândalo, Cedro, Grapefruit, Lavanda, Melaleuca, Bergamota ou Mandarim. Para hidratar, busque formulações que sejam à base de Aloe Vera e/ou Hamamélia, pois são hidratantes leves e não obstruem os poros. Evite (MUITO) usar produtos com óleos minerais, pois eles não possuem afinidade com a estrutura da pele e criam somente uma barreira superficial, deixando uma ilusão de hidratação sem hidratar de fato.

Pele Seca

A pele seca possui normalmente uma textura fina e pode apresentar descamação e poros finos. É resultado da baixa produção de óleo nas glândulas sebáceas e pode ter origem hereditária ou efeito do processo de envelhecimento da pele. Pode apresentar agravamento do ressecamento quando exposta ao sol, vento e calor.

Mito: um bom hidratante resolve todo o meu problema.

Realidade: Não ter um hidratante adequado de fato é um problema. No entanto, a pele seca também precisa ser hidratada enquanto é limpa e tonificada. Coitado do hidratante! Muitas vezes leva toda a culpa enquanto o sabonete é um dos vilões. Para limpar a pele seca, o mais indicado é usar um sabonete cremoso, óleo ou creme de limpeza. Assim, enquanto você limpa a pele estarás também hidratando. Não esqueça de usar também um tônico facial após a limpeza. A minha dica é espirrar o tônico na mão e espalhar com vontade pelo rosto.

Dica: Procure produtos que contenham óleos essenciais de Camomila Romana e Alemã, Gerânio, Jasmim, Lavanda, Neroli, Palmarosa, Rosa, Pau Rosa, Frankincense, Vetiver, Patchouli, Everlasting, Sândalo ou Ylang-Ylang. Dê preferência para aqueles à base de óleo de abacate, Gérmen de Trigo, Amêndoas Doces, Damasco, Jojoba, Prímula, Calêndula ou de Cenoura. Massagens faciais regulares auxiliam no aumento da circulação nos capilares que hidratam a pele, o que acarreta em uma melhora da saúde da pele como um todo.

Pele Mista

É aquela que apresenta características de pelo menos duas condições diferentes. Por exemplo: oleosa nas regiões da testa, nariz e queixo, porém ressecada no restante do rosto. Desta forma, na região oleosa há a tendência de apresentar cravos e poros dilatados, enquanto no restante do rosto pode estar com a textura mais fina e até descamando.

Mito: É muito complicado cuidar da pele mista, tenho que ter um produto diferente para cada parte do rosto.

Realidade: Não necessariamente. Existem marcas que priorizam ingredientes que equilibram a produção de óleo das glândulas sebáceas, o que garante que a pele como um todo chegará a um equilíbrio. A região ressacada passará a produzir mais óleo e a região oleosa passará a produzir menos. Tem pessoas que adoram passar muitos produtos na pele e este momento de cuidado chega a ser terapêutico. Outros preferem uma rotina bem simples, mas efetiva. O interessante é você entender qual é o seu perfil para encontrar a marca que atenda ao seu estilo.

Dica: Procure produtos que contenham óleos essenciais de Gerânio, Palmarosa, Sândalo, Petitgrain, Vetiver, Salvia Sclarea, Neroli, Grapefruit, Manarim ou Lavanda. Dê preferência para aqueles que tenham como base óleos de Damasco, Jojoba, Gérmen de Trigo e Prímula se você tem mais tendência ao ressecamento do que à oleosidade. Se a sua maior preocupação no momento for a oleosidade, escolha aqueles que são à base de Aloe Vera e/ou Hamamélia.

Se você também achou curioso o fato de os mesmos óleos essenciais e vegetais aparecem como uma solução para peles completamente diferentes, eu lhe digo que essa é uma das magias da Aromaterapia. Apesar da proporção de cada óleo e água na formulação para cada tipo de pele ser bem diferente, muitos óleos usados na composição têm como propriedade restabelecer o equilíbrio ou estabelecer um novo ponto de equilíbrio – seja aumentando ou diminuindo a produção de óleo nas glândulas sebáceas – e mesmo em peles oleosas, os óleos adequados não deixarão uma sensação de oleosidade, pois penetram na superfície da pele. Por isso é importante levar em consideração não somente o aspecto físico ao escolher qual produto utilizar, e sim procurar em quais aspectos emocionais cada óleo recomendado para o seu tipo de pele pode ser mais interessante para você neste momento.

Em breve falaremos mais sobre isso. Por enquanto, eu te convido a reavaliar os produtos que você está usando ou pensando em comprar. Teste e sinta como a sua pele responde. Se você tem dúvidas sobre os ingredientes que estão na embalagem ou a forma de aplicação, pergunte aqui no blog! Não deixe a dúvida fazer mal à sua pele.

Post escrito por Bibiana Conrad (profissional de aromaterapia aplicada pela escola Nature Care, Sydney, Austrália).

BATTAGLIA, Salvatore. The complete guide to aromatherapy. International Centre of Holistic Aromatherapy, 2003.