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Liberação miofascial

Postado em 18 de julho de 2017 | Por : | Categoria : Blog | 0 Comentários

Importante tecido do nosso corpo, a fáscia recobre nossos ossos e músculos da cabeça aos pés. Quando saudável, é flexível e maleável, ajudando a manter a postura, flexibilidade e mobilidade. Porém, devido ao estresse dos sistemas muscular e esquelético, pode perder essas características, se tornar rígida e ser fonte de tensões e encurtamentos musculares.

Para ajudar a entender como a fáscia funciona no nosso corpo, pense em um pedaço de carne de gado ou frango. Aquela fina película branca que recobre essa carne é a fascia, tecido que faz parte tanto do corpo de humanos como no de animais.

Inflamações, traumas, lesões, má postura, estresse, falta de flexibilidade e mobilidade são os principais causadores de danos na fáscia, que acabam desencadeando em dores de cabeça, dor muscular, espasmos, lesões crônicas, redução de flexibilidade e mobilidade.

Muitos estudos estão sendo realizados tentando descobrir a melhor maneira de atenuar esses fatores, tanto para atletas poderem alcançar um maior nível em todos os esportes de rendimento como para pessoas que queiram melhorar sua qualidade de vida.

Força, resistência, flexibilidade e mobilidade são valências constantemente estudadas na área da saúde, sendo consideradas fundamentais para um alto nível de qualidade de vida. Unem-se a elas velocidade e potência quando falamos de performance e desempenho esportivo.

Músculos são tecidos elásticos que terão seu desempenho melhorado ou piorado dependendo de sua flexibilidade. Melhor hidratação muscular, menor risco de lesões, maior facilidade de recuperação e maior eficiência nos movimentos em tarefas diárias e no gesto esportivo são exemplos de benefícios para pessoas bem treinadas nessa valência. Adicione a isso articulações com grande mobilidade e teremos a solução de muitos problemas ortopédicos que atrapalham atletas de elite e amadores, além dos problemas diários enfrentados por muitos.

Baseado nessas necessidades, muitos estudos estão sendo produzidos tentando encontrar a maneira mais efetiva de atingir esses objetivos, e dentre os assuntos mais pesquisados está a liberação miofascial, que é um método que consiste na aplicação de pressão em alguns pontos do corpo objetivando maior liberdade entre o músculo e a fáscia.

Para elucidar, um grupo de pesquisadores brasileiros e canadenses fez um estudo tentando entender qual a melhor maneira de melhorar a amplitude de movimento nas flexões e extensões de quadril. Para isso, compararam a técnica de liberação miofascial por meio do rolo e da automassagem. Todos os sujeitos foram testados antes e depois das sessões, sendo divididos em dois grupos de acordo com a aplicação de uma das técnicas, tendo ainda uma comparação de aplicação por 1 e 2 minutos. O estudo foi feito em 9 dias, tendo 4 sessões e sempre com um dia de descanso entre as mesmas.

Os resultados mostraram que todos os sujeitos tiveram melhora na amplitude de movimento em apenas 4 sessões de treinamento! Mais de 10% de melhora após as sessões de 1 minuto (1’) – automassagem 1’ (11%), rolo 1’ (13%); e mais de 20% após as sessões de 2 minutos (2’) – automassagem 2’ (22%) e rolo 2’ (30%). Não é incrível?

Tendo como base esse estudo, podemos sugerir que incluir sessões de liberação miofascial com rolo por 2’ (em casa região) pode trazer resultados incríveis na flexibilidade e amplitude de movimento, mesmo em curto período de tempo. Está com o tempo contado para fazer uma sessão? Diminua para 1’ e ainda assim será possível alcançar resultados positivos. Pode-se ainda incluir essa rotina entre séries de musculação, por exemplo. Ao contrário de outros tipos de treino, não há problema em usar essa técnica diariamente pois a mesma não tem necessidade de período de recuperação.

Estudos como esse servem como base para o treinamento. Não existe receita de bolo, cada pessoa vai responder melhor à um determinado tipo de estímulo. Procure um profissional para te auxiliar, mas sempre lembre de ouvir os sinais que o seu corpo envia.

Fonte:
MONTEIRO, Estêvão Rios et al. Is self-massage an effective joint range-of-motion strategy? A pilot study. Journal of Bodywork and Movement Therapies, v. 21, n. 1, p. 223-226, 2017.

 

Alex Tomé é educador físico formado pela UFSC, personal trainer, running coach, atleta amador e ultramaratonista. Atualmente estuda no Australian College of Sports and Fitness em Sydney, Austrália.

Instragam: @tome.alex

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